Ela era só uma moça querendo escrever um livro e ele era só um moço querendo morar num barco, mas se realimentando um do outro para. Para quê? Eles pareciam não ter a menor idéia.
O cheiro dele era tão bom nas mãos dela quando ela ia deitar, sem ele. O cheiro dela era tão bom nas mãos dele quando ele ia deitar, sem ela. O corpo dela se amoldava tão bem ao dele. (...) ela gostava quando, depois de muito tempo calada, ele pegava no seu queixo perguntando – o que foi, guria? Ele gostava quando ela dizia sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você. Ela gostava quando ele dizia gozado, você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo. Ele gostava tanto quando ela passava as mãos nos cabelos da nuca dele, aqueles meio crespos, e dizia bobo, você não passa de um menino bobo.
Ele disse:
- eu não vou me esquecer de você.
Ela disse:
- nem eu.
(...)
Que grande cilada, pensaram. Ficaram se olhando assim, quase de manhã.
Tocou-a devagar no ombro nu moreno dourado sob o vestido decotado e disse:
- sabe, eu pensei tanto. Eu acho que.
Ela se voltou de repente. E disse:
- eu também. Eu acho que.
Ficaram se olhando. Completamente dourados, olhos úmidos. Seria a brisa? Verão pleno solto lá fora.
Bem perto dela, ele perguntou:
- o quê?
Ela disse:
- sim.
Puxou-o pela cintura, ainda mais perto.
Ele disse:
- você parece mel.
Ela disse:
E você, um girassol.
Estenderam as mãos um para o outro. No gesto exato de quem vai colher um fruto completamente maduro.
Caio F.
(Mel e Girassóis – em Dragões não conhecem o paraíso)
terça-feira, 3 de novembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Além
Pretérito mais que perfeito do verbo viver,
é disso que eu sou feita.
Vivera, amara, sorrira.
A única coisa bruta e infinda que existe
Em mim nesses longos segundos sem cor
Dos quais eu me arrasto pra longe,
É o presente do verbo que mais me cerca
Além do tempo.
Eusonho.
é disso que eu sou feita.
Vivera, amara, sorrira.
A única coisa bruta e infinda que existe
Em mim nesses longos segundos sem cor
Dos quais eu me arrasto pra longe,
É o presente do verbo que mais me cerca
Além do tempo.
Eusonho.
domingo, 13 de setembro de 2009
Leitoraria
Como é insaciável e abrasivo o vício de escrever. Gárcia Márquez
Agora eu tenho um outro blog... O Leitoraria. Onde eu e mais dois amigos que fazem letras junto comigo iremos escrever sobre nossas leituras e coisa & tal.
Estou super animada com a ideia e espero que vocês também fiquem animados e comentem e indiquem livros e bláblá.
Vai lá:
Leitoraria
domingo, 30 de agosto de 2009
No caderno
(perdido em alguma folha de caderno)
(longe e perto)
"E sua tristeza era um cansaço grande, pesado, sem raiva."
Clarice - Perto do coração selvagem
A felicidade pra mim é onde.
Assim: hipótese. Quando.
Eu sou muito feliz com você, mas essa consciência de felicidade-resposta me revira o estômago.
Eu quero você no ponteiro das minhas horas: vinte e quatro.
Eu ando tão triste. Choro à toa. Sinto medo de tudo que a gente viveu, mas, principalmente, de tudo o que a gente ainda tem pra viver.
E eu te odeio muito. Porque não sei até que parte você é a projeção do que eu gostaria que fosse. E não dá pra te acordar do lado direito da cama e dizer – Tira a bobagem eloqüente e louca da minha cabeça porque eu estou pirando. E não dá pra você me apertar até sufocar e me beijar a boca e depois a nuca e depois os seios, o umbigo, as coxas. Não dá pra você entrar em mim com a doçura vulgar das palavras na ponta dos dedos. Eu te amo. E choro de novo só de pensar nisso. Mas eu não sei te amar, porque peso e leveza pra mim são parte da mesma coisa – eu não sei separar.
(longe e perto)
"E sua tristeza era um cansaço grande, pesado, sem raiva."
Clarice - Perto do coração selvagem
A felicidade pra mim é onde.
Assim: hipótese. Quando.
Eu sou muito feliz com você, mas essa consciência de felicidade-resposta me revira o estômago.
Eu quero você no ponteiro das minhas horas: vinte e quatro.
Eu ando tão triste. Choro à toa. Sinto medo de tudo que a gente viveu, mas, principalmente, de tudo o que a gente ainda tem pra viver.
E eu te odeio muito. Porque não sei até que parte você é a projeção do que eu gostaria que fosse. E não dá pra te acordar do lado direito da cama e dizer – Tira a bobagem eloqüente e louca da minha cabeça porque eu estou pirando. E não dá pra você me apertar até sufocar e me beijar a boca e depois a nuca e depois os seios, o umbigo, as coxas. Não dá pra você entrar em mim com a doçura vulgar das palavras na ponta dos dedos. Eu te amo. E choro de novo só de pensar nisso. Mas eu não sei te amar, porque peso e leveza pra mim são parte da mesma coisa – eu não sei separar.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
algo assim
É que o mundo todo me parece de uma crueza tão grande a me olhar com uns olhos que são tão cinzas e tão frios. esses olhos do mundo, esfomeados, saltando dos rostos de desconhecidos querendo brincar da brincadeira modernista e antropófaga sem nem saber que já estamos na pós-modernidade e tudo escorre pelas pernas, pelos olhos, talvez.
e o nó na garganta se personifica em qualquer coisa que escuta, que divide, enquanto o mundo continua andando sabe-se lá pra onde, nesse monte de não-realidade que chamamos carinhosamente de vi-da.
e o nó na garganta se personifica em qualquer coisa que escuta, que divide, enquanto o mundo continua andando sabe-se lá pra onde, nesse monte de não-realidade que chamamos carinhosamente de vi-da.
sábado, 6 de junho de 2009
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