#5 Lista da semana

O desfile do Ronaldo Fraga na SPFW
O Ronaldo Fraga é maravilhoso e sabe como ninguém contar uma história por meio de suas criações. Dessa vez não foi diferente: na coleção intitulada "Re-existência", ele se inspirou nos refugiados e na África, onde passou dois meses. Mais do que se inspirar, ele também convidou cinco refugiados para desfilar, pessoas cujas histórias agora estão espalhadas por aí, alcançando outras pessoas. Para o FFW, Ronaldo disse que:
As roupas são um meio de comunicar toda essa mensagem, da mesma maneira que simbolizam a única herança que muitas das pessoas fugidas de seus países carregam, embarcando em viagens de barco levando apenas a roupa do corpo. “Há um elo entre a cultura deles e suas roupas”, diz Ronaldo Fraga, que quer, nesta coleção, criticar a intolerância, não só dos países europeus que querem virar as costas para refugiados e imigrantes, mas para a intolerância das diferenças, incluindo a do Brasil. “Vivemos um momento de muita intolerância aqui e em todo o mundo.”
Lemonade, da Beyoncé

 Um lacre é um lacre, né, migos? Essa mulher é uma deusa, uma louca, uma feiticeira: ela é demais.  Amando a Bey mandando a real pra galere sobre girl power e empoderamento negro. O buzzfeed fez uma listinha bem legal de 19 fatos que você não sabe sobre Lemonade :)

Frio
Amor e ódio com esse negózdi frio, né não? A gente reclama do calor, mas quando o bendito frio chega é um de desespero só. Essa imagem é sobre meu coração feliz por imaginar um final de semana tacada na cama, quentinha, um livrin, uma bebida quente. A diferença é que na vida real vai ter meia por cima da calça do pijama com certeza <3

O canal do Youtube do Clube do bordado
Eu amo o Clube do Bordado desde o seu início. Essas minas maravilhosas se juntaram para bordar e acabaram fazendo um rolê tão massa que, olha, não tenho nem palavras. É tudo sobre trabalhos manuais, mas também sobre ressignificá-los: e isso vem com muito empoderamento feminino, obviamente. Vai lá ver o primeiro vídeo delas agorinha mesmo.

Uma imagem
"Woman Reading", de Will Barnet, 1970.

A Fashion Revolution de Manuela Casali - Quem faz suas roupas?

Em fevereiro deste ano eu passei por uma experiência que mudaria por completo a minha relação com as minhas roupas. Eu me inscrevi para participar de uma ação organizada pelo Fashion Revolution, em parceria com as ONGS 27 Million Brasil e Stop The Traffik. A ação era o Fashion Experience, inspirada em intervenções que o Fashion Revolution já tinha feito ao redor do mundo, como a máquina de camisetas de 2 euros em Berlim. 

Até o momento do treinamento, eu não sabia muito bem o que ia acontecer. Lá, descobri que seria um box que simularia uma loja temporária no meio da Avenida Paulista e, dentro da estrutura, os visitantes – até então atraídos por supostas promoções incríveis – teriam contato com uma realidade muito grave da indústria da moda: o tráfico de pessoas e o trabalho escravo.
Como profissional de moda, já tinha consciência de que esse tipo de situação existia, e que muitas marcas que a gente usa e adora já foram flagradas utilizando esse tipo de mão de obra. No entanto, foi depois do treinamento, em que passaram para os voluntários dados reais do que acontece por aí, é que eu realmente tive noção do tamanho do absurdo. Os treinadores sugeriram que assistíssemos ao documentário The True Cost (tem no Netflix!), e foi esse filme que dividiu a minha vida em duas partes, que fez com que eu me envolvesse emocionalmente com a causa. Não dá pra ter contato com isso e continuar sendo a mesma pessoa, seguindo a vida da mesma forma. É impossível.
Enfim, chegou o primeiro dia da ação, e eu estava bem nervosa, porque sabia que tipo de situação eu poderia ter que lidar: pessoas falando mal do governo, querendo brigar, pessoas se sentindo frustradas e enganadas por aquilo não ser uma loja de verdade, gente dizendo que aquilo ali era tudo mentira. De fato, aconteceu; muitas pessoas sentiram raiva, gritaram com os voluntários, pessoas que não queriam abrir os olhos para isso porque, a partir do momento que você sabe, tem que tomar uma posição, tem que fazer alguma coisa, e não é fácil fazer alguma coisa. No entanto, encontrei muito mais pessoas que, assim como eu, se sentiram tocadas e emocionadas e que com certeza saíram dali repensando seus hábitos de consumo e pensando em cobrar das suas marcas favoritas uma posição.
Eu estou começando uma carreira como consultora de estilo, e essa experiência mudou completamente minha dinâmica de trabalho. O consultor é um profissional que acaba de relacionando de forma muito pessoal com o seu cliente, porque ele está ali para começar uma transformação na vida dele, e na minha bagagem agora é muito importante carregar mais essa mudança para a vida de alguém; despertar – além de uma consciência de si próprio – uma empatia em relação às pessoas que construíram aquilo que a gente tá vestindo.
Manuela Casali
Consultora de Estilo
manuelacasalic@gmail.com
(11) 98548-7372

Love, a série do Netflix: uma paródia do amor



Terminei de ver Love. Vi tudo em dois dias. É uma daquelas séries levinhas e gostosas de assistir, que te fazem ficar jogada no sofá por horas a fio, em estado de inércia. 
Como esse nome, só podia ser uma série sobre o amor, certo? Hum... não é bem assim.
A série gira em torno de dois personagens: o Gus e a Mickey.
Gus é apresentado, logo no comecinho, como o pior tipo de cara: aquele que parece legal, mas que não é realmente. E isso resume a pequenez do seu personagem. Gus não é o típico nerd romantizado, like spider man, ele é um idiota mesmo. Por uns dois segundos a gente até cai na dele, mas passa logo. 
Mickey é a cool girl que afirma que não é cool coisa nenhuma, mas uma viciada - em droga, em álcool, em relacionamentos. A gente já vê isso lá no começo, quando seu ex-namorado surge - um cara desprezível, dos mais nojentos mesmo. É essa a lógica das relações de Mickey e é isso que justifica a esperança dela de encontrar em Gus, o cara estranho e 0,1% fofo, algo que preencha seus vazios.

Pra mim, é uma série sobre como homens conseguem ser bem babacas. E o quanto mulheres incríveis não percebem como são incríveis e se envolvem com homens de merda. Li por aí que Love não traz nada de bom para as mulheres, mas discordo. Pelo menos até o fim da primeira temporada, olhar pra Mickey é nos deparar com nós mesmas e com tantas migalhas que costumamos aceitar só por querer estar em um relacionamento, só para fazer parte da lógica do amar/ser amado - "ser amado", né? 
Love é isso: um pedido de socorro de uma personagem que quer sempre mais, mas se contenta com tão pouco. Sendo assim, a série acaba funcionando como espelho: meu deus, eu nunca deixaria alguém me tratar assim. Mas deixamos. Isso de fato acontece muito. E não deveria. Então acho que  a série acaba resvalando em reflexões mil e uma constatação: chega de se contentar com tão pouco. 

Love me parece muito uma paródia do amor. Talvez até uma farsa ou uma caricatura. Claramente é uma ironia. É a tentativa, que não dá nada certo, de narrar uma relação amorosa e que acaba saindo como uma definição da falta, da carência, das falhas - o que é quase uma definição do não amor. Ou será que amor é isso também? Pra mim, a série vê o amor como uma palavra mal acabada, cujas letras mudam toda hora e o resultado é sempre incerto - o que tem tudo a ver com a abertura.

Mickey, você tá toda ferrada, mas é maravilhosa. Gus, você é um belo de um bosta. Julgamentos fictícios à parte,  uma coisa é certa: amor é tão fácil e certo como 2 e 2 são 5. Espero que Mickey consiga refazer essa equação e quebre a lógica dos homenzinhos de merda nas próximas temporadas.

Isso te parece amor?

Bela, recatada e do lar

Bela, recatada e do lar

Esta semana a Veja fez o que ela sabe melhor: ser antiquada. E mais do que isso: espalhou a ideia, nas entrelinhas, de que é esse o tipo de mulher ideal, o tipo que faz de Temer "um homem de sorte". Foi isso que gerou a comoção.
Não por acaso, e também como foi apontado por vários lugares, pintaram Marcela como oposição de Dilma - não à toa, ela, que ocupa o cargo público mais alto deste país, é desmerecida, tida como descontrolada, brava, feia etc, enquanto que a outra ganha coroa por ser rainha do lugar que sempre foi imposto às mulheres: a vida privada.
Marcela tem o respeito de todas, mesmo se for exatamente com a Veja limitadamente a pintou: bela, recatada e do lar. 
A ela, a mim e às outras mulheres, toda a liberdade para sermos o que quisermos, sem modelos e sem imposições - e principalmente sem revisteca soando como no séc. 19.

Pra quem quer saber mais:

Um link preciso da Revista AzMina

Um post esclarecedor de Think Olga

Um outro ponto de vista, do Lugar de Mulher


O universo poético da fotógrafa Pân Alves: a língua dos pássaros

Quando vi pela primeira vez o trabalho da fotógrafa Pân Alves, fiquei em um estado suspenso - era quase como se eu tivesse caído numa piscina cheia de tons lavados e mergulhasse entre peles, flores e sensações.
A fotógrafa Pân Alves
O trabalho da Pân é delicado e forte ao mesmo tempo. Uma força feminina, bruta, natural, não esculpida, não pousada, que não se faz... só existe; e é leve e bonita. 
Essas aparentes contradições tem tudo a ver com a escolha de Pân em focalizar, quase sempre, mulheres. Apesar de algumas fotos de casais e de homens, são as figuras femininas que quase saltam da tela: "Eu gosto de fotografar as mulheres, porque acho que a sensibilidade e a beleza feminina não têm igual, é bonito demais. As mulheres são pedra e ar ao mesmo tempo".

A fotografia apareceu para ela ainda na infância, aos 10 anos: "eu lembro dos meus pais entregando a câmera analógica na minha mão para fazer as fotos das festas, e eu tinha uns 10 anos, mais ou menos".
Suas inspirações vêm do universo íntimo: "coisas que eu amo, cinema, música, natureza, sentimentos e até mesmo as pessoas que gosto e me relaciono".
Você pode encontrar o trabalho da fotógrafa no tumblr A língua dos pássaros e no Facebook. E por que a língua dos pássaros? "Michel Mustafa me deu esse poema que ele escreveu. “Que se afine  os lábios à língua dos pássaros, a secura da minha boca se deve à dureza da sua carne” faz parte de um trecho do poema, e essa frase se cravou em mim na mesma hora que eu li. Pra mim, a língua dos pássaros se tornou a sensibilidade pela qual trabalho nesse projeto".






Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...