Cadê você que não aqui? Onde estaremos nós no meio dessas linhas forçadas e desse gosto de cigarro na boca? O telefone não toca. Apesar de parecer ouvi-lo ressoar em algum canto da casa. Não deve ser você.
Não ouço. Mal consigo segurar a caneta que a agonia me bota na mão.
Respiro confundida, querendo encontrar a minha boca na tua boca, mordendo os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio.
Fingir que está tudo bem, os olhos borrados, o canto da boca levemente mordido na tentativa de matar a vontade que grita, que arde. Fingir que está tudo bem enquanto o telefone não toca, a vida não gira. Fingir que está tudo bem, o coração a tilintar feito pequenos cristaizinhos pulando no chão.
Odeio amar, não é engraçado? Amanhã tento de novo. Amar só é bom se doer. Desculpe tanta sede, tanta insatisfação. Amanhã, amanhã, recomeço. Te espero. Te Beijo.
